Não. No fundo, vale a pena a gente investir — tempo e energia — em uma empresa em que a gente pode ser a gente mesma, tem que ser gostoso, no sentido de ter paixão, de estar lá, sentir que você é sua melhor versão. Tive esse match na minha carreira e assim mantive minha autenticidade, que é um traço importante pra gente ter vontade, inspirar os outros e conectar. Em 20 anos de Ambev, eu sempre fui eu mesma, na Diageo também tenho esse espaço. Tenho uma coisa super ambiciosa, de sonhar grande, de tamanho de crescimento, de expectativa dos nossos planos. Isso é um traço de gente, nem de mulher, nem de homem. Nunca precisei adotar outra postura para provar nada. Agora, tive que tomar algumas decisões que alguns homens não tomaram ao longo da carreira. Quando sentei na posição de liderar o marketing de cervejas da Ambev, me vi numa situação de perguntar o que fazer, como construção de marca, com esse monte de mulher de biquíni? Comecei junto com o time a questionar se aquela era a maneira como a gente queria retratar a mulher naquele momento. E inclusive pensar se aquela era a melhor maneira de crescer o business. A gente precisava de uma categoria que se conectasse com o público feminino. A partir daí começou um grande trabalho de reconstruir uma marca, fazer compromissos que mudaram a empresa, a concorrência, com impactos além das cervejas.
