Cerca de 50 milhões de americanos já votaram nas chamadas midterms, as eleições de meio de mandato deste ano, antes da data final da votação nesta terça-feira, 3. O número de cédulas emitidas antecipadamente supera o registrado no ciclo eleitoral anterior em todos os principais estados decisivos para o pleito.
As midterms renovarão todas as cadeiras da Câmara dos Deputados, um terço do Senado e um sem número de cargos estaduais e municipais. Caso os indicadores das últimas pesquisas se concretizem, o Partido Democrata pode conseguir maioria em não apenas uma, mas as duas casas do Congresso americano — controladas pelo Partido Republicano desde o pleito de 2024.
Em vários estados, a parcela de votos antecipados provenientes de eleitores registrados como democratas foi superior à observada em 2024, um sinal encorajador para o partido, que busca retomar a maioria no Congresso.
Ainda assim, espera-se que milhões de outros votos sejam depositados no dia da eleição. Nesta segunda-feira, os candidatos tiveram uma última oportunidade de apresentar seus argumentos finais em disputas cruciais por todo o país. Levantamentos diversos na reta final da campanha revelaram as principais preocupações dos eleitores e mostraram que, sobretudo, a insatisfação com o estado da economia, a impopularidade do presidente Donald Trump e a personalidade de candidatos podem superar a inclinação partidária dos americanos.
Há semanas, as pesquisas indicam que a frustração do eleitorado com a disparada da inflação e o elevado custo de vida transformou territórios historicamente conservadores em swing states, ou estados pendulares — aqueles que ora apoiam os democratas, ora os republicanos. Um levantamento do jornal New York Times em parceria com a Siena College, divulgado nesta segunda-feira, 2, mostrou candidatos democratas ao Senado à frente de seus rivais republicanos em sete estados-chave.
Encruzilhada para Trump
O segundo mandato de Donald Trump viverá um momento decisivo nesta terça, quando eleitores dos Estados Unidos irão às urnas para definir se os republicanos do presidente manterão o controle do Congresso, ou se a maioria ficará com a oposição democrata.
Diversas pesquisas indicam que o Partido Democrata tem tudo para “virar” a Câmara. Um modelo estatístico da revista The Economist indica que a sigla tem 19 chances em 20 de conquistar a casa mais baixa do legislativo. Segundo o Cook Political Report, uma importante fonte de previsões eleitorais nos Estados Unidos, 40 das 435 cadeiras em disputa são “competitivas” — vencer cerca de metade delas daria aos democratas a maioria.
Essas cadeiras são geralmente localizadas nos distritos decisivos (battleground seats), onde a demografia, os resultados anteriores e as pesquisas de opinião não descartam a vitória de nenhum dos partidos. Entre eles estão distritos como o 14º e o 22º da Flórida, o 1º da Pensilvânia, e o 15º e o 35º do Texas.
+ Quais são os estados-chave nas midterms dos EUA
Além disso, os democratas podem ainda conquistar o Senado, no que seria uma verdadeira reviravolta. No último século, apenas em três ocasiões um presidente americano perdeu o controle de ambas as casas do Congresso: em 1946, com o democrata Harry Truman; em 1994, com o democrata Bill Clinton; e em 2006, com o republicano George W. Bush.
Para obter a maioria dos senadores, os democratas precisam defender todas as 45 cadeiras que ocupam atualmente e conquistar pelo menos quatro que hoje estão nas mãos dos republicanos.
Conquistar qualquer uma das casas seria uma vitória significativa para os democratas, que ganhariam o poder de bloquear a agenda legislativa de Trump e investigar sua administração de forma mais incisiva.
Fonte: Abril


