Enquanto a abertura de capital costuma marcar a chegada de uma empresa ao mercado acionário tradicional, uma parcela crescente dos investidores tem direcionado sua atenção para a fase anterior ao IPO.
O mercado de pré-IPO, que reúne negociações de participações em companhias ainda privadas, vem atraindo interessados em capturar parte relevante da valorização que ocorre antes da estreia das ações em Bolsa.
A estratégia ganha força à medida que empresas de tecnologia e inovação permanecem privadas por períodos mais longos, levantando bilhões de dólares em rodadas de financiamento antes de considerar uma oferta pública inicial. Com isso, parte expressiva da geração de valor acontece fora dos mercados públicos e fica concentrada entre investidores que conseguem acessar essas oportunidades antecipadamente.
Segundo Fábio Guerra, diretor de novos negócios e estruturação da Hurst Capital, o IPO representa, em muitos casos, apenas a chegada da companhia ao grande público. “Em muitos casos, a maior parte da criação de valor já aconteceu durante os anos anteriores, quando a companhia ainda estava no mercado privado”, afirma.
A diferença entre os dois momentos é significativa. No pré-IPO, as participações são negociadas entre investidores qualificados, fundos e plataformas especializadas no mercado secundário privado. Após a abertura de capital, as ações passam a ser negociadas livremente em Bolsa, tornando-se acessíveis ao público em geral.
Um dos exemplos citados pela Hurst Capital é a OpenAI. A empresa de inteligência artificial alcançou avaliações privadas superiores a US$ 900 bilhões mesmo sem ter realizado sua abertura de capital. Embora tenha iniciado movimentos preparatórios para um eventual IPO, a companhia ainda não definiu oficialmente um cronograma para a operação. A expectativa do mercado é que isso aconteça após atingir valor de mercado de US$ 1 trilhão.
Enquanto o IPO não vem, a plataforma de investimentos alternativos Hurst Capital captou todas as cotas do lote complementar destinado ao investimento na OpenAI. A disponibilização deste segundo lote ocorreu em decorrência do encerramento da rodada inicial, realizada no início de maio, cujas cotas disponibilizadas foram integralmente subscritas em um período de 48 horas.
O sucesso na comercialização mostra que os brasileiros estão de olho em investimentos que possibilitam acessar o mercado de equity privado da companhia tecnológica antes da realização de sua oferta pública inicial de ações (IPO).
A estrutura utilizada para viabilizar esse acesso ocorre por meio de um Certificado de Recebíveis (CR), emitido no mercado brasileiro sob regulação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e em conformidade com a Resolução 88. O instrumento, no caso dessa operação, é lastreado em direitos creditórios vinculados a um contrato firmado com a OurCrowd (Investment in G-new OpenAI) L.P., plataforma global de capital de risco.
Continua depois da publicidade
Outro caso destacado é o da SpaceX. Antes de avançar em seu processo de abertura de capital, a empresa fundada por Elon Musk esteve entre as companhias privadas mais desejadas do mundo, impulsionada por sucessivas rodadas de valorização. Segundo a Hurst Capital, que estruturou a única operação que permitiu a investidores brasileiros acessarem o pré-IPO da empresa, todas as cotas foram esgotadas em menos de 24 horas.
Para Breno Reis, COO da Hurst Capital, a busca por ativos de pré-IPO reflete o interesse dos investidores em participar do ciclo de geração de valor que antecede a listagem em Bolsa. Apesar do potencial de valorização, o executivo ressalta que a modalidade envolve riscos maiores, como menor liquidez, incertezas regulatórias e a possibilidade de adiamento ou cancelamento do IPO.


