Em meio às tensões dos últimos dias, em que o senador Flávio Bolsonaro fugiu aos Estados Unidos após perder uma eleição que Donald Trump acusou de “fraude eleitoral” sem provas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já tem um encontro marcado antes do fim do ano com o presidente americano.
Entre os dias 14 e 15 de dezembro, o ocupante do Salão Oval será o anfitrião da 21ª reunião de cúpula do G20, sediada em um de seus resorts de golfe em Miami. O encontro reunirá as 19 maiores economias do mundo, incluindo o Brasil, além de blocos como a União Europeia e a União Africana.
Este será o primeiro G20 que contará com a presença de Trump desde seu retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025. Ele não compareceu no ano passado, quando a cúpula foi sediada em Joanesburgo, devido a atritos com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e acusações infundadas de suposto “racismo contra brancos” nas políticas do país.
De acordo com a imprensa americana, Trump deseja transformar a cúpula do G20 e a cidade de Doral, em Miami, no grande palco geopolítico de seu mandato. Relatos de assessores à revista The Atlantic indicam que o presidente americano planeja, em particular, figurar fisicamente no centro de uma fotografia histórica, posicionado entre Vladimir Putin e Volodymyr Zelensky para assinatura de um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia — uma cena que, para ser viabilizada, ainda depende de concessões significativas (e dolorosas) do governo ucraniano; Putin também não confirmou sua presença no evento.
Para a Casa Branca, a cúpula de Miami é vista como a oportunidade definitiva de selar o papel de Trump como pacificador global antes do término do ano. Assim, o assunto Brasil pode não estar no centro das discussões, embora certamente adicione tensão à presença de Lula ali.
Relação com o Brasil
O petista e seu homólogo americano têm mantido uma relação marcada por altos e baixos. Os Estados Unidos impuseram três tarifaços à economia brasileira e a Casa Branca chegou a sancionar ministros do Supremo em retaliação ao julgamento e a consequente condenação de Jair Bolsonaro pela trama golpista.
As eleições adicionam uma nova camada de desconfiança. No início desta semanda, quando questionado por jornalistas sobre o resultado da disputa presidencial no Brasil, Trump respondeu que a eleição “pareceu fraudada” e que o resultado “parece terrível”, mas, ao mesmo tempo, disse que “gosta de Lula” e “se dá bem com ele”.
Em seguida, seu governo concedeu vistos a Flávio Bolsonaro e sua família, que deixaram o Brasil em violação de uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da investigação sobre lavagem de dinheiro e desvio de divisas por meio de um esquema de bets ligado ao advogado Willer Tomaz, amigo com quem o senador dividia conta bancária.
Na noite de quarta-feira, porém, Trump pareceu recuar: “Não vou comentar sobre isso. Não vou me envolver”, disse ele após Flávio publicar uma carta de teor golpista que o descreve como “verdadeiro líder do Brasil” apesar da derrota nas urnas.
Ao contrário do que fez em outras eleições na América Latina, como Colômbia e Honduras, o americano não havia declarado publicamente apoio ao candidato do PL, embora ele conte com a simpatia da ala do governo liderada por Marco Rubio, secretário de estado. Irmão de Flávio, o deputado cassado Eduardo Bolsonaro tem sido o principal articulador da ofensiva de Washington contra o governo Lula junto a Rubio e auxiliares do Departamento de Estado desde que iniciou seu autoexílio nos Estados Unidos, em março de 2025.
Fonte: Abril


