Trabalhadores do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM), em São Paulo, denunciam a falta de segurança e os riscos à saúde de pacientes e funcionários decorrentes de obras realizadas “sem as proteções necessárias”. A situação, conforme o Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep), expõe a negligência em diversas intervenções.
Condições Inadequadas e Falta de Diálogo
O Sindsep detalha que áreas críticas, como o centro cirúrgico, são isoladas apenas com plástico preto e fita crepe, uma prática que se mantém mesmo após denúncias anteriores. O sindicato aponta que a segurança e o gerenciamento de riscos ocupacionais estão sendo ignorados em nove setores do hospital, sem diálogo com os trabalhadores ou cronograma definido, contrariando as normas internas.
Posição da Prefeitura
Em nota, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informou que o HSPM passa por uma modernização ampla, com previsão de conclusão até o final do ano. A SMS afirma que os serviços são continuamente acompanhados por equipes de Engenharia, Segurança do Trabalho e Controle de Infecção Hospitalar do próprio hospital.
Critíticas ao Planejamento e Riscos Ambientais
A entidade sindical enfatiza a necessidade de planejamento rigoroso para intervenções em serviços de saúde, evitando interferências no trabalho e prejuízos ao atendimento. Flávia Anunciação, secretária de Trabalhadores da Saúde do Sindsep, ressaltou que, embora não sejam contrários às reformas, a metodologia atual é inadequada. Ela comparou a situação a hospitais privados, que adotam planos de contingência robustos, incluindo o deslocamento de setores para garantir a segurança.
Perigos de Contaminação por Poeira e Fungos
Entre os riscos apontados, destaca-se a contaminação por pó fino, que pode causar problemas respiratórios e aumentar o risco de infecções. O Sindsep alerta para a presença do fungo <i>Aspergillus</i> na poeira hospitalar, cujos esporos podem levar a infecções respiratórias graves (aspergilose), especialmente em indivíduos imunocomprometidos, podendo ser fatal. A transmissão ocorre por inalação em ambientes contaminados por obras.
Ruído Excessivo e Incidentes Recorrentes
As reclamações também incluem ruído excessivo em áreas de internação, como enfermarias, pediatria e UTI pediátrica, sem contenção adequada. O Sindsep já havia denunciado essas condições em abril, quando foi registrado um vazamento de água pelo teto, evidenciando a recorrência dos problemas de segurança nas obras.




