No fim do jogo, quando a intensidade costuma cair, o São Paulo encontra no banco a capacidade para acelerar e decidir as partidas. É um padrão: o Tricolor Paulista mostrou mais uma vez que sabe reagir e, na ida da semifinal do Brasileirão Feminino, chegou a sair atrás do Flamengo, mas transformou a desvantagem em uma vitória por 3 a 1 no Luso Brasileiro, com gols de Mylena Carioca, Robinha e Bruna Calderan depois de Mariana Fernandes abrir o placar para as rubro-negras.
O resultado contra o Flamengo também reforçou a capacidade do São Paulo de decidir partidas depois do intervalo, o que já havia ocorrido contra o Grêmio, na fase anterior. Neste sábado, diante das rubro-negras, Mariana Fernandes colocou o Flamengo em vantagem aos 53 minutos, mas Mylena Carioca empatou aos 72, Robinha virou aos 88 e Bruna Calderan fechou a conta nos acréscimos.
Mais próximo de voltar a uma final do Brasileiro Feminino, o Tricolor Paulista recebe o Flamengo no próximo sábado (19), às 16h30, no Brinco de Ouro da Princesa, em Campinas (SP).
Segundo tempo concentra a maior parte dos gols nas vitórias
Dos 15 triunfos do São Paulo neste Brasileirão Feminino, em 13 a equipe marcou pelo menos um gol no segundo tempo. As exceções são as vitórias por 2 a 1 sobre o Bahia, quando os dois gols tricolores saíram na primeira etapa, e por 3 a 1 sobre o Vitória, construída inteiramente antes do intervalo.
O padrão aparece com clareza em alguns dos principais resultados da campanha. Contra o Palmeiras, pela primeira fase, o São Paulo saiu do 0 a 0 no intervalo para vencer por 3 a 0, com Isabelle Guimarães, Aline Milene e Carol Gil marcando na etapa final. Diante do Atlético-MG, os dois gols que garantiram a virada por 2 a 1 também saíram depois do intervalo. Contra o Flamengo, na nona rodada, o time marcou os dois gols da vitória na segunda etapa, com Duda Serrana e Isa Guimarães.
A equipe também balançou as redes depois do intervalo nas vitórias sobre Internacional, Grêmio, Juventude, Santos, Cruzeiro, Red Bull Bragantino, Botafogo, Mixto, Grêmio nas quartas de final e Flamengo na semifinal. O comportamento se repete mesmo quando o São Paulo já chega ao intervalo em vantagem, como no 3 a 1 sobre o Grêmio, em que Giovaninha marcou aos 48 minutos, e no 5 a 1 sobre o Botafogo, com três gols tricolores na etapa final.
Outro dado ajuda a dimensionar essa característica: dos 35 gols marcados pelo São Paulo nas 15 vitórias no Brasileirão, 24 saíram no segundo tempo, o equivalente a 68,6% do total. O número mostra que a equipe não apenas consegue reagir quando está em desvantagem, mas também mantém capacidade de produção ofensiva depois do intervalo mesmo quando já está à frente no placar.
| Vitórias (apenas Brasileirão Feminino) | Placar | Gols do SPFC no 2º tempo |
|---|---|---|
| Internacional 1 x 2 São Paulo | 1-2 | 2 |
| São Paulo 2 x 1 Bahia | 2-1 | 0 |
| São Paulo 3 x 0 Palmeiras | 3-0 | 3 |
| Atlético-MG 1 x 2 São Paulo | 1-2 | 2 |
| São Paulo 3 x 1 Grêmio | 3-1 | 1 |
| São Paulo 2 x 1 Flamengo | 2-1 | 2 |
| São Paulo 1 x 0 Juventude | 1-0 | 1 |
| São Paulo 3 x 0 Santos | 3-0 | 1 |
| Cruzeiro 1 x 2 São Paulo | 1-2 | 1 |
| Vitória 1 x 3 São Paulo | 1-3 | 0 |
| São Paulo 1 x 0 Bragantino | 1-0 | 1 |
| Botafogo 1 x 5 São Paulo | 1-5 | 3 |
| São Paulo 1 x 0 Mixto | 1-0 | 1 |
| São Paulo 2 x 0 Grêmio | 2-0 | 2 |
| Flamengo 1 x 3 São Paulo | 1-3 | 3 |
Três vitórias de virada
A vitória sobre o Flamengo foi a terceira virada do São Paulo no Brasileirão. Antes da semifinal, o time já havia conseguido o mesmo feito contra o Atlético-MG e o Internacional.
Diante das mineiras, o São Paulo foi para o intervalo perdendo por 1 a 0, após gol de Pimenta aos 38 minutos, mas Tayla empatou aos 57 e Mylena Carioca marcou aos 63 para definir o 2 a 1.
Contra o Internacional, a reação também aconteceu no segundo tempo. O São Paulo sofreu o gol e respondeu com Duda Serrana aos 46 minutos e Giovanna Crivelari aos 48, transformando a desvantagem em vitória por 2 a 1.
A terceira virada, e a mais recente, foi justamente a que colocou o São Paulo em vantagem na semifinal. Mariana Fernandes abriu o placar para o Flamengo aos 53 minutos, mas Mylena Carioca empatou aos 72, Robinha virou aos 88 e Bruna Calderan marcou o terceiro aos 90+9.
Quando o São Paulo abre vantagem, dificilmente deixa escapar
Nas outras 12 vitórias, o São Paulo não precisou buscar uma desvantagem no placar. São triunfos em que a equipe abriu a frente ou construiu uma margem confortável e terminou vencedora.
O padrão aparece tanto em goleadas quanto em jogos apertados. Contra o Palmeiras, por exemplo, o São Paulo saiu do 0 a 0 no intervalo para vencer por 3 a 0, com Isabelle Guimarães, Aline Milene e Carol Gil marcando no segundo tempo. Contra o Santos, o time abriu 2 a 0 ainda na etapa inicial e terminou com 3 a 0. Já diante do Vitória, construiu 3 a 0 antes do intervalo e sofreu o gol adversário somente aos 46 minutos.
Nos jogos de placar mais curto, a capacidade de construir e sustentar a vantagem também aparece. O São Paulo venceu o Juventude por 1 a 0, com gol de Duda Serrana aos 55 minutos, o Red Bull Bragantino pelo mesmo placar, com Késia aos 86, e o Mixto por 1 a 0, definido por Bia Menezes aos 60. Contra o Cruzeiro, Serrana marcou aos 63 para fazer 2 a 1 e garantir mais uma vitória apertada.
Serrana lidera nos gols que definiram vitórias apertadas
Quando o recorte é reduzido às vitórias por apenas um gol de diferença e à autora do gol que definiu o resultado, Duda Serrana é quem mais se destaca. A atacante marcou o gol da vitória por 1 a 0 sobre o Juventude e também fez o segundo gol do São Paulo no triunfo por 2 a 1 sobre o Cruzeiro.
Nesse mesmo recorte, Cássia marcou o gol que colocou o São Paulo em vantagem no 2 a 1 sobre o Bahia, Mylena Carioca fez o gol da virada sobre o Atlético-MG, Fernanda marcou aos 87 minutos para garantir o 2 a 1 sobre o Flamengo na nona rodada e Késia definiu o 1 a 0 diante do Red Bull Bragantino. Bia Menezes completa a lista, com o gol da vitória sobre o Mixto.
Mylena Carioca, por sua vez, aparece como o principal nome do São Paulo quando o recorte são especificamente as viradas. A atacante marcou em duas das três reações da equipe no Brasileirão, primeiro no triunfo por 2 a 1 sobre o Atlético-MG, quando fez o gol que colocou o Tricolor novamente à frente aos 63 minutos, e depois na semifinal contra o Flamengo, ao empatar a partida aos 72 minutos e iniciar a reação que terminou com vitória por 3 a 1. Mais recente, Vi Amaral também tem sido uma carta na manga de Thiago Viana.
O segundo tempo como padrão de campanha
O raio X ajuda a explicar por que o São Paulo chega à reta decisiva como uma equipe difícil de controlar. A campanha mostra a capacidade da equipe de Thiago Viana de buscar partidas que parecem escapar, acelerar depois do intervalo e decidir jogos nos minutos finais. Contra o Flamengo, na semifinal, essas características apareceram de uma só vez e ajudaram o São Paulo a transformar uma desvantagem em uma vitória que deixa o time em um cenário confortável na disputa por uma vaga na final.


