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Home » Segurança, moradia, saúde são maiores demandas de moradores de favelas
Notícias

Segurança, moradia, saúde são maiores demandas de moradores de favelas

RedaçãoBy Redaçãofevereiro 5, 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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Segurança, moradia, saúde são maiores demandas de moradores de favelas
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As favelas brasileiras reúnem uma população majoritariamente jovem, negra, trabalhadora e com projetos concretos de futuro. Por outro lado, vivem com desafios estruturais persistentes em áreas que vão da educação à segurança. Essa é a realidade apresentada na pesquisa Sonhos da Favela, feita pelo Data Favela nas cinco regiões do Brasil, com ênfase no Rio de Janeiro e em São Paulo.

O estudo se baseia em 4.471 entrevistas realizadas com maiores de 18 anos, todos moradores de favela, entre os dias 11 e 16 de dezembro de 2025. O objetivo principal dos organizadores é convidar população e o poder público a conhecer e a enfrentar as negligências que impactam a vida nas favelas.

Dignidade e bem-estar básico estão entre as principais aspirações. Ao projetarem o futuro da família para 2026, o desejo por uma casa melhor lidera os planos (31%), seguido pela busca por uma saúde de qualidade (22%), entrada dos filhos na universidade (12%) e segurança alimentar (10%).

“O Data Favela acredita que mapear pensamentos, experiências e vivências de moradores de favela é, antes de tudo, um ato de reconhecimento e reparação. Favela não é só ‘problema’ ou ‘estatística’. É também espaço onde existe inteligência coletiva, cultura, empreendedorismo, inovação, verdadeiras estratégias para prosperar”, analisa a copresidente do Data Favela Cléo Santana.

“Ouvir quem vive a favela todos os dias muda o centro da narrativa: não se trata apenas de ‘falar sobre’, mas de construir dados com as pessoas, a partir do que elas consideram urgente, possível e necessário. Isso tem impacto direto na forma como políticas públicas são desenhadas, como empresas se relacionam com esses públicos e como a imprensa retrata as periferias”, complementa.

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Rio de Janeiro (RJ), 02/11/2025 - Rua Santa Celinha, ao lado da praça São Lucas, no Complexo da Penha. zona norte da Cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Rio de Janeiro (RJ), 02/11/2025 - Rua Santa Celinha, ao lado da praça São Lucas, no Complexo da Penha. zona norte da Cidade. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Complexo da Penha, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Perfil sociodemográfico

A maior parte dos entrevistados é formada por adultos entre 30 e 49 anos (58%). Jovens de 18 a 29 anos somam 25%, enquanto pessoas com mais de 50 anos correspondem a 17%. Cerca de 60% são mulheres e 75% de todos os entrevistados se identificam como heterossexuais.

Oito em cada dez se identificam como negros (49% se declaram pardos, 33% se declaram pretos). Brancos são 15%.

Sobre graus de escolaridade, 8% têm ensino fundamental completo; 35%, ensino médio completo; 11%, ensino superior completo; e 5%, pós-graduação.

Cerca de 60% ganham até um salário mínimo mensalmente. Na sequência, 27% recebem de R$ 1.521 a R$ 3.040, enquanto 15% do total reúne faixas acima de R$ 3.040.

Três em cada dez afirmaram ter um trabalho com a carteira assinada (ocupados), 34% estão informais (entre aqueles que não possuem a carteira assinada e os que fazem bicos), 17% estão desempregados (desocupados) e 8% estão fora da força de trabalho (entre aposentados e estudantes).

No geral, 56% dos entrevistados afirmam não receber nenhum tipo de benefício do governo, como auxílio gás, aposentadoria ou pensão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), tarifa social de energia elétrica, seguro-desemprego. Entre os que recebem algum benefício, o mais citado é Bolsa Família/Auxílio Brasil (29%).

Infraestrutura territorial

Em relação à infraestrutura territorial, os moradores foram questionados sobre as principais mudanças que desejariam nos seus territórios em 2026. As respostas mais frequentes foram: saneamento básico (26%), educação (22%), saúde (20%), transporte (13%) e meio ambiente (7%).

Sobre as opções que possuem nas comunidades ligadas à esporte, lazer e cultura, 35% afirmaram ser ruim ou muito ruim, e 32% afirmaram ser regular.

 


Imagem de riacho com falta de saneamento básico e uma criança passando em favela do Complexo da Maré
Imagem de riacho com falta de saneamento básico e uma criança passando em favela do Complexo da Maré

Falta de saneamento básico no Complexo da Maré – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Desafios de raça e gênero

Cerca de 50% dos entrevistadores afirmam que a cor da pele impacta nas oportunidades de trabalho, enquanto 43% dizem que a cor da pele não impacta.

Sete em cada dez afirmam que a violência doméstica/feminicídio é o principal desafio que as mulheres enfrentam dentro da favela, seguido da dificuldade com emprego e renda (43%) e apoio no cuidado com os filhos (37%).

Quando perguntados sobre qual política pública consideram mais urgente para as mulheres, as respostas mais frequentes foram: programas de inserção no mercado de trabalho (62%), campanhas de educação contra o machismo (44%), delegacias e serviços com atendimento 24h (43%) e o cuidado com a saúde da mulher (39%).

 


Comunidade de Paraisópolis.
Comunidade de Paraisópolis.

Favela de Paraisópolis, na capital paulista – Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Segurança pública

Os moradores das favelas também foram perguntados sobre quais instituições confiam que irão protegê-los contra a violência. As respostas incluem Polícia Militar (27%), Polícia Civil (11%) e facção da minha favela (7%). A opção com mais votos, no entanto, foi “nenhuma delas” (36%).

Quando perguntados sobre a presença da polícia dentro da favela, o silêncio é significativo, segundo os pesquisadores: 24% optaram por não responder, enquanto outros 25% afirmam que a presença não altera a sensação de segurança. Uma parcela de 13% sente medo e insegurança com a presença policial. Por outro lado, 22% se sentem mais seguros com o policiamento no território.

“Um dado simbólico da pesquisa é o que revela que o maior desejo é poder ir e vir com tranquilidade [47%], mostrando dessa forma que o futuro ainda é pensado a partir da sobrevivência e do medo. Pesquisas como essa funcionam como um megafone para ampliar a voz que a favela já tem”, explica a copresidente do Data Favela Cléo Santana.

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