South Beach, a ponta sul da ilha de Miami Beach, é a área que legou à cidade as suas imagens clássicas: prédios baixos no estilo art déco, letreiros em neon, tons pastel, música com acento cubano, mar caribenho.
Meca hedonista da América, costuma ser sede do “spring break”, uma espécie de semana do saco cheio dos estudantes americanos, regada a muita bebida.
No pós-pandemia, a migração de grandes executivos vindos sobretudo de Nova York transformou a área em reduto de luxo. E quem vem se adaptando a isso são os hotéis antigos da orla, a maioria aberta nos anos 1930 e 1940, hoje alvos de reformas milionárias.
O Shelborne é um dos clássicos. Resort histórico fincado na areia branquinha, foi adquirido pela rede californiana The Proper e reabriu no ano passado após uma renovação na casa dos US$ 100 milhões (R$ 500 milhões).
O lobby, todo em mármore rosado, preserva as linhas do art déco original. Com móveis de madeira clara e poltronas bem lisas, ganha um ar de sofisticação tropical.
O tom terroso e claro se mantém no bar do térreo, que costuma ser animado por sets de DJ aos sábados e que vão até o começo da madrugada, e também nas suítes. Os 251 quartos dão para a área da piscina ou oferecem vista para a praia, com o oceano turquesa. Para os meses de junho e julho, diárias ali
partem dos US$ 500 (R$ 2.500).
A área da piscina é a que parece manter mais intacto o estilo original. Tem um trampolim anguloso, hoje desativado, que parece saído de um musical de Esther Williams. Ao redor, os hóspedes se estiram em espreguiçadeiras e bebericam os seus drinques.
Nos fundos, o Shelborne dá acesso ao seu beach club —uma faixa na areia reservada a quem está hospedado nele e que pode ser mimado com bebida e petiscos.
Uma das novidades da renovação milionária pela qual passou o hotel foi a inauguração do Pauline, cujo carro-chefe são os peixes e frutos do mar, preparados com um tempero caribenho e latino. Já o Little Torch é um bar discreto, escondido no lounge, mais voltado a coquetéis clássicos e autorais.
O hotel dispõe ainda de academia 24 horas —claro, Miami é uma cidade de corpos à mostra—, e organiza sessões matinais de ioga, pilates e meditação sonora.
No mesmo trecho da praia do Shelborne, outros hotéis também vêm ganhando cara nova graças a renovações caríssimas. A rede Rosewood, por exemplo, está por trás da reforma do Raleigh. E neste mês reabre as portas o Delano, outro ícone do estilo, inaugurado em 1947. Em Miami, já tem gente chamando South Beach de Billionaire’s Beach (ou praia dos bilionários).
O jornalista se hospedou a convite do hotel The Shelborne by Proper





















