Depois de declaração de Gilberto Kassab (PSD) na véspera, dizendo que “uma coisa é gratidão, reconhecimento, lealdade, outra coisa é submissão”, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta sexta-feira (30) que apoiar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não significa ser submisso.

Presidente do PSD e secretário de Governo e Relações Institucionais no governo de Tarcísio, Kassab fez o comentário durante entrevista ao UOL na quinta-feira (29), após ser questionado sobre a relação do governador com o ex-presidente. Kassab então afirmou que eram muito importantes os gestos de Tarcísio de reconhecimento e de gratidão a Bolsonaro, porque isso mostraria caráter, mas que era fundamental ele ter sua própria identidade.

“É fundamental que ele tenha sua identidade. Uma coisa é gratidão, reconhecimento, lealdade, outra coisa é submissão”, disse ele. “Eu acredito que ele [Tarcísio] pensa assim também.”

Nesta sexta-feira (30), Tarcísio disse que tem uma relação de gratidão e amizade com o ex-presidente, “absolutamente nada a ver com submissão” e, sobre Kassab, afirmou que o dirigente partidário tem “suas opiniões próprias”.

A declaração de Tarcísio foi dada após evento de entrega da restauração da estação Júlio Prestes, ponto de partida da linha 8-diamante de trens metropolitanos. Ele foi questionado em entrevista coletiva sobre a fala de Kassab e sobre sua relação com o ex-presidente.

“Ele é um dirigente nacional importante e fala como dirigente nacional dentro daquilo que ele acredita. […] Ele é a pessoa que tem suas opiniões próprias, e problema nenhum também”, disse o governador, que reafirmou o alinhamento de Kassab com as diretrizes do governo estadual em sua atuação como secretário.

Quanto a Bolsonaro, Tarcísio afirmou que tem uma relação de gratidão e amizade com o ex-presidente, “absolutamente nada a ver com submissão”.

“É fácil você ficar do lado quando a pessoa tá bem. Difícil, e você às vezes não tem muito isso na política, é estender a mão quando a pessoa está na pior, quando ela precisa da sua ajuda, quando a pessoa perdeu o poder, quando a pessoa está privada da sua liberdade”, disse.

Kassab, por sua vez, afirmou também nesta sexta (30), que não falou em submissão na relação entre Tarcísio e a família Bolsonaro.

“Foi o contrário. A pessoa me perguntou se ele era submisso, eu falei que não era submisso. Ele [Tarcísio] é uma pessoa que tem caráter, que sabe que reconhecimento é importante, seja na vida pessoal, seja na vida política, e que esses gestos dele são corretos, são adequados para alguém que foi ministro e foi lançado e apoiado nessa campanha de governador. Portanto, é mais do que correta essa aliança, essa parceria, esse reconhecimento”, disse ele, em evento na Arena B3, no centro de São Paulo.

Na entrevista na véspera, Kassab afirmou que Tarcísio legitimamente “tem as pretensões de comandar o país um dia” e precisa “mostrar que tem a sua identidade”.

“E identidade significa ser bom caráter, tem que ser evidentemente reconhecido, tem que estar sempre mostrando qual foi a importância do ex-presidente Bolsonaro na sua carreira, na sua eleição de governador, mas é fundamental que ele tenha sua identidade. Uma coisa é gratidão, reconhecimento, lealdade, outra coisa é submissão. Eu acredito que ele [Tarcísio] pensa assim também”, continuou o dirigente.

Na quinta (29), o governador de São Paulo visitou o ex-presidente no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha.

Tarcísio afirmou manter “relação muito próxima” com Bolsonaro, apesar das tensões com bolsonaristas que levaram ao cancelamento da visita na semana anterior. “Havia algumas questões de interpretação de outros, são naturais, alguns ruídos que acontecem. Mas nunca houve desarmonia nenhuma”, disse.

Ele reafirmou que busca reeleição como governador e que vai aliar a estratégia de São Paulo à estratégia nacional de seu grupo, com “alinhamento absoluto e total” ao PL.

Já Kassab disse que seria um privilégio compor a chapa ao governo de São Paulo como vice de Tarcísio, disse que apoia o político na eleição estadual e que cabe a ele a definição sobre parcerias para tentar a reeleição como governador.

Nesta semana, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, anunciou que deixou o União Brasil e se filiou ao PSD. Com isso, a sigla passou a ter três presidenciáveis: além de Caiado, os governadores Ratinho Jr. (Paraná) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).

Kassab já afirmou que apoiaria Tarcísio para governador ou presidente. Nesta semana, em entrevista à Folha, afirmou que mesmo nesta nova configuração, não haveria sentido manter uma candidatura do PSD com Tarcísio buscando a Presidência, acrescentando que, neste caso, “seria uma união de forças, e o PSD estaria junto”.


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