A derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira, 3, deixou o presidente Donald Trump mais vulnerável a um terceiro processo de impeachment. Com a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, os democratas terão instrumentos para ampliar investigações contra o governo e poderão aprovar acusações contra o presidente. A vitória nas urnas, porém, não lhes dá votos suficientes para retirá-lo da Casa Branca sem apoio de republicanos.
Nos Estados Unidos, cabe à Câmara aprovar, por maioria simples, as acusações que constituem o impeachment: traição, suborno ou outros crimes e delitos graves, de acordo com a Constituição americana. A destituição depende de uma etapa seguinte: o julgamento no Senado, onde uma condenação exige o apoio de dois terços dos senadores presentes — 67 votos se os 100 participarem.
Até a manhã desta quarta-feira, 4, os democratas haviam assegurado ao menos 54 cadeiras no Senado, com disputas ainda sem resultado definido. Mesmo com a vitória expressiva, o partido precisaria convencer integrantes da bancada republicana a votar a favor do impeachment.
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Trump já foi alvo de dois impeachments aprovados pela Câmara durante seu primeiro mandato: em dezembro de 2019, por abuso de poder e obstrução do Congresso, e em janeiro de 2021, por incitação à insurreição. Nos dois julgamentos, ele foi absolvido pelo Senado.
O próprio presidente americano alertou para o risco de um novo processo de impeachment. Durante um encontro com parlamentares republicanos em Washington em janeiro, o presidente afirmou que a manutenção do controle do Congresso seria decisiva para evitar uma nova tentativa de destituí-lo do cargo. “Eles vão encontrar um motivo para me submeter a um impeachment”, disse.
Diferentemente do Brasil, o presidente alvo de processo de impeachment na Câmara não é afastado e continua no cargo até a decisão dos senadores.
Fonte: Abril


