A Ambev registrou crescimento de 42,9% no volume de cervejas sem álcool vendidas no Brasil no terceiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado representa uma aceleração em relação ao primeiro trimestre, quando a categoria havia avançado 15%. Em 2025, o volume de cervejas sem álcool da companhia já havia crescido cerca de 30%.
O desempenho ficou acima do crescimento do mercado brasileiro de cervejas como um todo, que avançou aproximadamente 4% no terceiro trimestre, segundo dados da Nielsen divulgados pela empresa. Considerando o segundo e o terceiro trimestres em conjunto, a indústria registrou expansão de 1,3% no volume comercializado, na comparação com o mesmo período de 2025.
O portfólio de cervejas sem álcool da Ambev inclui Brahma 0,0%, Skol Zero Zero e Corona Cero. A companhia também lançou recentemente a Spaten Pro, uma cerveja escura do estilo Munich Dunkel, sem álcool e com 10 gramas de proteína.
O crescimento ocorre em um mercado que passou por uma expansão expressiva nos últimos anos. O Brasil deve consumir 885 milhões de litros de cerveja sem álcool em 2026, segundo projeções da consultoria Euromonitor, quase sete vezes o volume registrado em 2019. O país ocupa a posição de segundo maior mercado mundial da categoria. A produção nacional também avançou, passando de 119 milhões para 757 milhões de litros entre 2023 e 2024, uma alta de 537%, segundo o Anuário da Cerveja, do Ministério da Agricultura e Pecuária.
A expansão está associada a mudanças nos hábitos de consumo, especialmente entre os mais jovens, que passaram a buscar alternativas às bebidas alcoólicas em determinadas ocasiões. Segundo levantamento da Neogrid publicado pela VEJA Negócios em julho, a participação das cervejas sem álcool no consumo nacional passou de 2,5% em 2024 para 3,9% em 2026. No mesmo período, o gasto médio com esses produtos avançou de 26 para 32 reais por compra, enquanto a quantidade média adquirida aumentou de 4,6 para 5,5 unidades.
O movimento também aparece nos resultados de outras fabricantes. No primeiro trimestre de 2026, o volume global de cervejas com pouco ou nenhum álcool da Heineken cresceu cerca de 12%, enquanto as vendas totais do grupo avançaram 1,2%. Os números mostram que a expansão das versões sem álcool não se limita ao mercado brasileiro nem a uma única fabricante.
A maior procura por essas bebidas ocorre em um período de mudanças na relação dos consumidores com o álcool. Levantamento da Circana citado pela VEJA Negócios mostrou que 71% dos consumidores dos seis maiores mercados europeus afirmam estar reduzindo o consumo de bebidas alcoólicas. Nos Estados Unidos, 65% dos integrantes da geração Z dizem que pretendem beber menos.
Fonte: Abril


