Um levantamento do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), realizado com o sistema de monitoramento LegitBet, identificou 60.477 sites suspeitos de oferecer apostas desde o início do acompanhamento, realizado após a proibição das bets no Brasil. Em 34.134 desses endereços, a ferramenta encontrou elementos como ofertas de bônus, pagamentos por Pix e formulários de cadastro. Os dados estão atualizados até terça-feira, 27.
Os números representam a entrada de endereços na base de monitoramento, e não necessariamente a criação de novos sites. A confirmação pela ferramenta indica a presença dos elementos pesquisados, sem substituir a análise das autoridades sobre a situação de cada página.
Além dos endereços identificados, empresas do setor relatam o uso de suas marcas para atrair apostadores a outras plataformas. A prática inclui imitações da identidade visual das operadoras e publicações que mencionam empresas conhecidas, mas oferecem links para serviços diferentes.
“Estamos diante de golpes que exploram a confiança do consumidor em marcas conhecidas. Há sites que imitam a identidade visual de operadoras como Betano, Novibet, Bet365 e BetMGM”, afirma Carlos Lima, presidente-executivo do IBJR, entidade que representa empresas de apostas.
A Medida Provisória 1.394/2026, publicada em 25 de setembro, proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no país. A restrição alcança apostas esportivas e jogos on-line, inclusive quando oferecidos por empresas sediadas no exterior a pessoas localizadas no Brasil. O cronograma divulgado pelo Ministério da Fazenda determinou que os sites e aplicativos destinados à oferta dessas apostas ficassem indisponíveis a partir de 6 de outubro.
Em um dos episódios relatados pela assessoria da BetMGM, uma página que utiliza o nome da empresa funciona como porta de entrada para outra plataforma. Conforme o material encaminhado à reportagem, os cliques redirecionam o visitante a um site que anuncia bônus de 500% nos quatro primeiros depósitos. O endereço identificado como imitação não é um canal oficial da BetMGM.
A empresa também relata publicações em páginas de terceiros que usam seu nome e o de outras operadoras para atrair leitores. Os links dessas publicações, porém, encaminham o público a outras casas de apostas.
Somente na terça-feira, 27, entraram na base do LegitBet 436 endereços suspeitos, dos quais 231 tiveram as características confirmadas. Na mesma data, o sistema registrou 374 links suspeitos divulgados nos canais acompanhados. Esse último indicador mede a circulação de links, independentemente da identificação de novos sites.
O monitoramento utiliza pesquisas na internet, registros recentes de domínios, redes de páginas já acompanhadas, canais do Telegram e redes sociais. O relatório também identifica endereços com nomes semelhantes, diferenciados por números, letras ou terminações.
“Bets clandestinas continuam anunciando em redes sociais, como o Instagram, e divulgando esses golpes em aplicativos de envio de mensagens, levando o público para páginas que não oferecem as mesmas garantias de segurança das operadoras licenciadas”, afirma Lima.
Os dados mostram a presença de páginas suspeitas durante a vigência da proibição, mas não permitem medir, isoladamente, o efeito da medida provisória sobre o tamanho do mercado clandestino, o volume de apostas ou a ocorrência de fraudes.
O IBJR defende a retomada de um mercado regulado e fiscalizado. “Com as plataformas reguladas fora do ar, ficou mais difícil para o consumidor distinguir um canal verdadeiro de uma imitação. A proibição afastou as empresas fiscalizadas, mas não impediu a circulação dessas ofertas que prejudicam a sociedade”, afirma Lima.
“É preciso investigar os responsáveis, remover anúncios e sites fraudulentos, e interromper os pagamentos que sustentam essas operações”, diz o executivo.
Fonte: Abril


