O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, comentou nesta quinta-feira, 29, a carta com teor golpista divulgada por Flávio Bolsonaro na véspera. Em rápido comentário após ser questionado por jornalistas sobre o documento, o cacique respondeu apenas: ‘Não gostei’.
A declaração ocorreu dentro de um carro, antes de Valdemar visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. O encontro foi permitido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
O que disse Flávio na carta?
Flávio Bolsonaro fez na tarde desta quarta-feira, 28, seu primeiro posicionamento público depois de fugir do Brasil. No documento, ele afirmou, sem provas, ter sido vítima de uma “fraude” eleitoral, agradeceu aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, e disse que vai continuar liderando a oposição a partir de Miami. O ex-presidenciável deixou o país pela Argentina e desembarcou nesta quarta na cidade americana acompanhado da esposa e das duas filhas.
Na primeira versão do documento, divulgada pelo seu aliado Paulo Figueiredo, que vive nos Estados Unidos, Flávio se declarou como “presidente eleito”. “Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, disse na primeira versão da carta. A expressão ainda seria repetida uma segunda vez. Depois, em suas redes sociais (veja abaixo), ele retirou a autodeclaração e se apresentou como “a voz e a liderança da nossa nação”.
Flávio havia marcado uma coletiva de imprensa para a manhã desta quinta, mas desistiu e publicou essa carta com declarações escritas. No documento, o senador diz que as eleições foram “fraudadas” por Lula por conta da liminar de Cristiano Zanin que prorrogou a votação até as 19h. No horário estendido, 34. 000 pessoas votaram, e a diferença do petista sobre Flávio foi de 4,4 milhões de votos. O PL, partido de Flávio, também pediu o adiamento.
“Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno”, diz trecho da carta. Mais adiante, Flávio complementa: “A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns”.
Na carta, Flávio prometeu continuar articulando a oposição ao governo Lula do exterior, comparando-se com figuras históricas como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e até José Martí, líder da independência de Cuba. “Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa”, disse o senador. O candidato derrotado nas urnas também apelou para a comunidade internacional: “Não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal”.
O documento termina com um apelo para os eleitores de Flávio. A base do PL ficou dividida com a fuga do ex-candidato, que prometeu ficar no país na segunda-feira, 26. O senador derrotado por Lula disse que vai conversar regularmente com o eleitorado e montar uma “estratégia” para mobilizar a oposição por “meios pacíficos e legítimos”.
“E a você, que votou em mim e sonha com a mudança: não estamos derrotados e não estamos sozinhos. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil”, diz o fim da carta.
Fonte: Abril

