Um homem matou uma pessoa e feriu outras quatro após abrir fogo nas cidades de Trappes e La Verrière, ao sudoeste de Paris, antes de ser detido nesta sexta-feira, 23.
O ataque aconteceu por volta das 10h30 locais (5h30 em Brasília) nos dois subúrbios de Paris e o homem foi rapidamente detido a alguns quilômetros da área, na localidade vizinha de Coignères, segundo a agência de notícias AFP, que citou uma fonte policial.
“Na manhã desta sexta-feira, um indivíduo atirou de dentro de seu veículo contra várias pessoas que cruzaram seu caminho”, escreveu em seu perfil no Instagram o prefeito de Trappes, Ali Rabeh.
Em entrevista à emissora BFMTV, Rabeh acrescentou que o agressor “parecia estar atirando a esmo, com a intenção de realizar um massacre”.
O primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, informou que uma pessoa morreu e quatro ficaram feridas. No entanto, o governo do departamento de Yvelines, onde ficam as cidades, afirmou que o saldo de vítimas “ainda não foi finalizado” e pode variar, já que as equipes de emergência permanecem no local do crime. A imprensa francesa reportou que o número de feridos seria maior e que uma criança de 12 anos estaria entre eles.
Lecornu disse ainda que a Promotoria Nacional Antiterrorismo está acompanhando a situação. “Todos os recursos das forças de segurança e do poder judiciário estão totalmente mobilizados”, escreveu o premiê em comunicado na sua conta no X (ex-Twitter).
A motivação dos disparos não ficou clara, e a polícia não formulou hipóteses.
Tensão na França
O tiroteio ocorre em um momento em que a França se encontra em estado de tensão, após distúrbios e uma onda de violência à margem de protestos em massa contra a disparada do custo de vida, que engrossaram o movimento estudantil por melhorias na educação no último fim de semana. As cenas do sábado 17 marcaram alguns dos piores episódios de violência urbana já vistos no país nos últimos anos.
Novos protestos foram marcados para este sábado, 24. A polícia prometeu uma presença reforçada, após uma semana em que foram impostos toques de recolher noturnos em diversas cidades francesas.
Além disso, a França enfrentou, no passado, uma série de ataques de cunho islâmico, incluindo o massacre cometido por jihadistas no coração de Paris, em novembro de 2015, que deixou 130 mortos.
Embora o número de incidentes tenha diminuído nos últimos anos, as autoridades alertam que o risco persiste e que tentativas de ataques são frequentemente frustradas graças ao trabalho de inteligência.
Em 2020, Samuel Paty, um professor que lecionava em outro subúrbio de Paris, foi decapitado por um extremista islâmico após ter exibido a seus alunos caricaturas do profeta Maomé.
A cidade de Trappes também vivenciou momentos de tensão, depois que um professor da região relatou ter recebido ameaças após escrever que o Estado não havia feito o suficiente para proteger Paty.
Fonte: Abril


