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Em mais um episódio de instabilidade política na África Ocidental, militares anunciam a formação de uma “Junta de Transição” após confrontos na capital Bissau e a prisão do chefe de Estado.
Um grupo de militares da Guiné-Bissau anunciou na manhã de hoje (25) ter tomado o controle do país, dissolvendo o governo e detendo o presidente Umari Sanhá Lopes. O golpe de Estado ocorre após relatos de intensos tiroteios e movimentação de tropas nas primeiras horas do dia na capital Bissau, especialmente nas proximidades do palácio presidencial.
Em um comunicado televisionado pela emissora estatal, agora sob controle militar, um porta-voz do grupo que se autodenomina “Comitê Nacional para a Restauração da Ordem e da Estabilidade” (CNROE) afirmou que a ação foi necessária para “preservar a democracia, combater a corrupção e pôr fim à má-governança” no país. A declaração foi feita por um oficial não identificado, ladeado por outros soldados armados.
O Dia do Golpe: Tiros e Controle de Pontos Estratégicos
Os primeiros relatos de agitação surgiram por volta das 2h da madrugada (horário local), quando moradores de Bissau reportaram ruídos de disparos de armas pesadas e leves em bairros chave da capital. Testemunhas oculares relataram ter visto colunas de veículos militares se dirigindo a pontos estratégicos, como a sede da rádio e televisão públicas, o parlamento e o palácio presidencial.
O presidente Umari Sanhá Lopes, que havia sido eleito em 2021, foi detido em sua residência oficial, segundo fontes militares que preferiram manter o anonimato. Não há informações sobre seu estado de saúde ou seu paradeiro exato. Membros de seu gabinete e figuras proeminentes do governo também teriam sido detidos.
Repercussão Internacional e Condenação
A notícia do golpe rapidamente se espalhou, gerando imediata condenação da comunidade internacional. A Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) emitiu um comunicado veemente, repudiando a tomada inconstitucional do poder e exigindo a libertação imediata e incondicional do presidente e dos membros do governo.
A União Africana (UA) e as Nações Unidas (ONU) também se manifestaram, pedindo o restabelecimento da ordem constitucional e alertando para o risco de desestabilização regional. A Guiné-Bissau tem um histórico de instabilidade política, com múltiplos golpes e tentativas de golpe desde sua independência de Portugal em 1974.
O Futuro: Promessas de Transição
O CNROE prometeu uma “transição para um governo civil transparente e justo”, mas não especificou prazos ou detalhes sobre como esse processo ocorrerá. Fronteiras terrestres e marítimas teriam sido fechadas e um toque de recolher foi imposto em todo o território nacional.
A população, acostumada com ciclos de crise política, aguarda com apreensão os próximos capítulos, enquanto a comunidade internacional intensifica a pressão por uma solução pacífica e democrática para a crise que novamente assola a Guiné-Bissau.

















